ENQUANTO E NAO

domingo, março 26, 2006

HOJE NÂO HÁ POLÍTICA


Teatro também é para ler

“O crítico literário em Portugal não escreve sobre textos de Teatro. Tenho muita pena que as peças não sejam consideradas literatura”

Quem o diz é Jorge Silva Melo numa entrevista no Diário de Notícias de 24-3-2006. E tem toda a razão. Leio com muita frequência críticas literárias a obras que vão aparecendo nas livrarias (algumas até de valor literário muito duvidoso, diga-se) mas nunca (ou muito raramente) entre as obras criticadas se fala do texto de uma peça de teatro. E mesmo os críticos de Teatro falam principalmente das interpretações, da encenação, da música, das luzes, mas esquecem-se, com muita frequência, de falar do texto como objecto literário.

A tal propósito, lembro-me que, tendo sido director, durante vários anos, de uma das várias bibliotecas, existentes nos serviços centrais CP, criadas por iniciativa e a expensas exclusivas dos respectivos funcionários, tive oportunidade de exercer um papel interessante na divulgação do texto teatral

Tendo a meu cargo a aquisição de livros, tive oportunidade de comprar imensas obras de teatro, género que antes da minha chegada era, praticamente, inexistente. Não familiarizadas com tal tipo de literatura, as leitoras (digo leitoras porque no meu sector havia muito mais mulheres do que homens) reclamavam da justeza da minhas opções nesse campo, alegando que, que embora gostassem de ver teatro que não eram capazes de ler as respectivas peças escritas.. E porque não ? Olhem para esta beleza retorquia eu, enquanto lhes lia, algumas passagens (lembro-me de “Felizmente há luar do “Stau Monteiro, de várias peças de Sartre do Bernardo Santareno, sei lá..). - Ah, assim lido por si, gostamos. É só uma questão de hábito. Insistam, saboreiem o texto, que vão começar a gostar. Aliás, se vocês se enfastiam com grandes descrições reparem que numa peça de teatro não há tempos mortos. É acção imediata através da palavra.
Posso dizer com orgulho que pus toda a aquela gente a ler teatro. E o mesmo aconteceu em relação à poesia.

Verdade seja que, dentro de uma arca, fora das prateleiras e do catálogo oficiai da biblioteca, tinha guardados livros proibidos que ia dando também a ler, como os livros de Jorge Amado (então proibidíssimos), o “Amante de Lady Chaterley” do Lawrence, a “Filosofia na Alcova do Sade”, “O Don Silencioso” de Cholokov, o “7º dia da Criação” de Ilya Éhremburg, “El Canto General” de Neruda e todos os livros que a Pide ia retirando do mercado mas dos quais eu tinha um fornecedor seguro e atento, que nunca me deixava desprevenido.
Foi uma boa sementeira, garanto-vos. Não caiu em cesto roto

Ainda gostava de saber o que foi feito das centenas ou milhares de livros das várias bibliotecas que havia então na CP!

Ora, toda esta conversa vem a propósito do teatro como objecto literário, como comecei por dizer. Então que viva o Teatro e o valor literário dos seus textos!

___________________________________________________


A ÁGUA


Decorreu esta semana a cidade do México, o 4º Fórum Mundial da Agua.
Nele se concluiu que há no mundo 400 milhões (sublinho:quatrocentos milhões) de crianças que não têm água potável e que uma delas morre a cada 15 segundos, devido a doenças que essa falta provoca.

Na cabeça de cada um de nós está a ideia, justa aliás, de que o ouro é um artigo muito valioso, por que, como tudo o que é valioso, existe em quantidades bastante limitadas, pois ouvi um dia destes num programa de rádio, a propósito do Dia Mundial da Água, que, pasme-se, há mais reservas de ouro do de água potável, à face da terra.

Não sei se será mesmo assim, mas é um facto que as reservas de água potável estão a escassear e que um dia, .que pode não ser tão longínquo assim, a humanidade vai ser confrontada com uma catástrofe de dimensões incalculáveis por falta deste precioso e indispensável líquido.

E no entanto nós, os portugueses sobretudo, dada a nossa atávica falta de civismo, (ainda há dias os jornais noticiavam que Lisboa é a capital europeia onde mais água se desperdiça), continuamos alegremente a gastar água sem norma nem medida, contribuindo, assim para o apressamento dessa catástrofe.

E pensando em tudo isto, interrogo-me: Porque é que as pessoas em vez de deixarem o chuveiro a correr durante todo o tempo do duche diário (que sendo diário não precisa ser longo) não se limitam a molhar rapidamente o corpo, fechar a torneira para se ensaboarem e só voltar a abri-la para rapidamente de desensaboarem?

Porque é que, a primeira água do duche, enquanto não aquece e se desperdiçam assim vários litros, não é aproveitada para encher um ou dois baldes, podendo essa água ser aproveitada para outras utilizações?
Porque é que louça, como muitas vezes vejo, tem de ser lavada e passada à torneira, em vez de se encherem previamente as cubas e aí se efectuar a lavagem?

Porque é que para lavar os dentes, não se enche um copo com água, se esfregam com a escova mantendo a torneira fechada, se bochecha com a agua do copo, e se lava finalmente a escova na mesma água, sem ser preciso voltar a abrir a torneira? Era assim que dantes nos ensinavam.

E porque será que agora não há cão nem gato que possuindo uma dúzia de tostões não dispensa a construção da sua piscina particular (que na maior parte dos casos até é, ridiculamente, pouco maior que um bidé)?

E porque é que nós, todos, não pensamos a sério neste problema e não procuramos modificar os nosso hábitos no que concerne ao consumo exagerado de água?
Ganhava o colectivo e ganhava a nossa bolsa.

E se te metesses na tua vida, dirão vocês. Pronto, pronto, já cá não está quem falou. Vão consumindo água até
se acabar. Para mim ainda deve chegar.

_____________________________________________________

E lá se vai o GNT

Um dos canais generalistas mais interessantes da TV Cabo e talvez o de maior audiência, fora os dos filmes, é o GNT da Globo. Pois a partir de 1 de Abril próximo esse canal será substituído por um outro da TV Record, também brasileiro, propriedade da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) Que raio de critério terá presidido a essa substituição?
Em minha casa, pelo menos, a ausência deste canal vai ser muito sentida. Adeus Jô Soares, Adeus Marilia Gabriela, adeus Manhatan Connection e outros programas interessantes que sem saber porquê vão deixar de nos fazer companhia.
Não adianto nada como isso, mas aqui fica o meu protesto!

____________________________________________________________

Veja também o meu outro blogue
Escritos Outonais
em
http://escritosoutonais.blogspot.com