ENQUANTO E NAO

terça-feira, novembro 13, 2007

A DESILUSÃO DE DEUS

MAIS UM LIVRO QUE RECOMENDO


Se acredita, sem sombra de dúvida, que Deus existe e ponto final, não vale a pena ler este livro. Você precisa de acreditar e não vai mudar de opinião.
Agora, se você gosta de se interrogar seriamente sobre o facto de Deus existir ou não existir, então vai apreciar a sua leitura É séria e ao mesmo tempo bem humorada


OPINIÔES

A Desilusão de Deus é um livro inteligente, compassivo e verdadeiro como o gelo, como o fogo. Se este livro não mudar o mundo, estamos todos lixados.»

Penn & Teller – apresentadores de TV


«Oh, depois de toda a vida nos dizerem que é uma virtude sermos cheios de fé, espírito e superstição, é tão reconfortante ler em vez disso um sonoro toque de trombeta da verdade. Dá a impressão de virmos à superfície para recuperar o fôlego.

»Matt Ridley - autor de Genoma e Francis Crick


«Dawkins dá às compaixões e emoções humanas o seu devido valor, que é uma das coisas que confere força às suas críticas da religião. Hoje em dia, muitos líderes religiosos são homens que, o que é óbvio para qualquer pessoa, excepto para os seus perturbados seguidores, estão dispostos a sancionar a crueldade perversa ao serviço da sua fé. Dawkins atinge-os com todo o poder que a razão pode exercer, destruindo as suas absurdas tentativas de provar a existência de Deus ou as suas presunçosas reivindicações de que a religião é a única base da moralidade, ou que os seus livros sagrados são literalmente verdadeiros.»

Phillip Pulmman - autor da trilogia “Mundos Paralelos”


«Richard Dawkins é o principal profeta dos nossos tempos. Através da sua exploração da evolução da vida baseada nos genes, o seu trabalho teve um profundo efeito em muito do nosso pensamento colectivo, c A Desilusão de Deus continua a sua tradição provocadora do pensamento.»

. Craig Venter – decifrador do genoma humano


«Esta é uma leitura excepcional - chega a ser divertida... Nem é preciso comprar toda a colecção de Dawkins para se orgulharem da sua coragem de expor o mal que as religiões podem fazer. Os zelosos fundamentalistas da Bíblia vão, sem dúvida, afirmar que encontraram Satanás
encarnado.

»Kirkus Reviews

Aqui deixo uma passagem do livro, para dar uma ideia do seu conteúdo


Consolo
E tempo de abordar a questão do importante papel que Deus desempenha em consolar-nos, bem como, no caso de ele não existir, do desafio humanitário que será pôr alguma coisa no seu lugar. Muitas das pessoas que admitem que provavelmente Deus não existe nem é necessário para a moralidade, ainda voltam à carga com aquilo que geralmente consideram um trunfo: a alegada necessidade psicológica ou emocional de um deus. Se se tira a religião, perguntam com truculência, o que se coloca no seu lugar? 0 que se oferece aos doentes terminais, aos enlutados que choram, às Eleanor Rigbys solitárias que têm em Deus o seu único amigo?


A primeira coisa a dizer em resposta a isto é algo que não deveria precisar de ser dito. O poder que a religião tem de consolar não a torna verdade. Façamos, inclusivamente, uma enorme concessão: mesmo que se demonstrasse de forma concludente que a crença na existência de Deus é absolutamente essencial ao bem-estar psicológico e emocional do ser humano; mesmo que os ateus não passassem todos de neuróticos desesperados, dados ao suicídio por uma inexorável angústia cósmica - nada disto constituiria o mais ínfimo grão de prova de que há verdade na crença religiosa. Poderia ser uma prova de que é desejável as pessoas convencerem-se a si próprias de que Deus existe, mesmo não existindo.

Como já referi, Dan Dennett, no livro Breaking the Spell, faz a distinção entre crença em Deus e crença na crença, ou seja, a crença de que é desejável acreditar, mesmo que a crença
seja, ela própria, falsa: «Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade» (Marcos 9: 24). Os crentes são incentivados a professar a crença, quer dela estejam convencidos, quer não. É provável que, repetindo uma coisa vezes suficientes, nos consigamos convencer da sua veracidade.

Julgo que todos conhecemos pessoas que têm apego à ideia da fé religiosa e que se ofendem quando ela é atacada, ainda que admitam, com relutância, que elas próprias não a possuem. Fiquei ligeiramente chocado ao descobrir um esplêndido exemplo no livro do meu herói Peter Medawar The Limits oj Science (Oxford University Press, 1984, p. 96): «Eu lamento a minha descrença em Deus e nas respostas religiosas em geral, pois acredito que, se descobríssemos boas razões científicas e filosóficas para acreditar em Deus, isso proporcionaria satisfação e conforto a muitas pessoas deles necessitadas.»

Desde que li a distinção de Dennett, tenho tido oportunidade de a utilizar vezes sem conta. Não será exagero afirmar que a maioria dos ateus que conheço disfarça o seu ateísmo por trás de uma fachada virtuosa. Não crêem em nada de sobrenatural, no entanto conservam uma vaga susceptibilidade à crença irracional. Acreditam na crença. É espantoso o número de pessoas que parece não conseguirem distinguir a diferença entre «X é verdade» e «é desejável as pessoas acreditarem que X é verdade». Ou talvez não se deixem cair, propriamente, neste erro lógico, mas considerem tão-somente que a verdade é insignificante quando comparada com os sentimentos humanos. Não pretendo desvalorizar os sentimentos humanos, mas quando conversamos, sejamos claros quanto àquilo de que estamos a falar: sentimentos, ou verdade. Ambos podem ser importantes, mas não são a mesma coisa.
Seja como for, a minha concessão hipotética foi um gesto descabido e incorrecto. Não conheço provas de que os ateus revelem qualquer tendência genérica para o abatimento e a angústia. Alguns ateus são felizes, outros são extremamente infelizes. Do mesmo modo que alguns cristãos, judeus, muçulmanos, hindus e budistas serão extremamente infelizes, outros serão felizes. Pode ser que haja evidência estatística sobre a relação entre a felicidade e a crença (ou descrença), mas duvido de que o eventual efeito seja forte, quer num sentido, quer no outro. Acho mais interessante perguntar se existe alguma boa razão para nos sentirmos deprimidos se vivermos sem Deus. Pelo contrário, terminarei este livro defendendo que dizer que se pode ter uma vida feliz e plena sem a religião sobrenatural ainda é pouco. Antes disso, no entanto, tenho de analisar as pretensões da religião quanto a proporcionar consolo. Segundo o Shorter Oxford Dictionary, consolo é o alívio da dor ou do sofrimento mental. Vou dividi-lo em dois tipos.


1. Consolo físico imediato.
Umhomem isolado num monte descampado, à noite, pode achar conforto num são-bernardo grande e aconchegante, sem esquecer, claro, o barril de aguardente à volta do pescoço. Uma criança que chora pode ser consolada pelos braços fortes que a envolvem e por palavras tranquilizadoras sussurradas ao ouvido.

2. Consolo pela descoberta de um facto antes descurado, ou uma forma antes desconhecida de encarar factos ocorridos.
Uma mulher cujo marido tenha sido morto na guerra pode ser consolada pela descoberta de que está grávida dele ou de que ele morreu como um herói.

Também podemos retirar consolo da descoberta de uma nova forma de encarar uma dada situação. Um filósofo faz notar que não há nada de especial no momento em que um velho morre. A criança que em tempos ele foi «morreu» há muito, não por ter deixado subitamente de viver, mas por ter crescido.

Cada uma das sete idades do homem, de que nos fala Shakespeare, «morre» lentamente ao transformar-se na seguinte. Deste ponto de vista, o momento em que o velho finalmente dá o último suspiro não é diferente das «mortes» lentas que teve ao longo da vida. Um homem que não se compraz com a perspectiva da própria morte poderá achar consoladora esta visão alternativa. Ou talvez não ache, mas em todo o caso este não deixa de ser um exemplo potencial de consolo através da reflexão.

Outro exemplo é a rejeição do medo da morte tal como foi formulada por Mark Twain: «Não tenho medo da morte. Estive morto durante milhões de milhões de anos antes de nascer, e não senti o mais pequeno incómodo por isso.» Esta tomada de consciência em nada altera o facto de que a nossa morte é inevitável. Mas foi-nos oferecida uma maneira diferente de olhar essa inevitabilidade que podemos achar consoladora. Thomas Jefferson também não tinha medo da morte e não parece que acreditasse em nenhuma espécie de vida após a morte. Segundo Christopher Hitchens, «quando os seus dias começaram a aproximar -se do fim, por mais de uma vez Jefferson escreveu a amigos dizendo que era sem esperança nem medo que encarava o final. O que era o mesmo que dizer, nos termos mais inequívocos, que não era cristão.»


Os intelectos mais resistentes estarão já, nesta altura em condições de digerir a pesada declaração de Bertrand Russell no seu ensaio de 1925 intitulado «What I Believe» («Aquilo em que acredito»):
Acredito que quando morrer vou apodrecer e nada do meu ego irá sobreviver. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenharia de tremer de medo ante a perspectiva da aniquilação. Apesar de tudo, a felicidade só é verdadeiramente felicidade porque tem de ter um fim, do mesmo modo que o pensamento ou o amor não valem menos por não serem eternos. Muitos foram aqueles que pisaram o cadafalso com orgulho; esse mesmo orgulho deveria, por certo, ensinar-nos a pensar verdadeiramente no lugar que o homem ocupa no mundo. Mesmo que a princípio as janelas franqueadas da ciência nos façam arrepiar, após o calor caseiro e acolhedor dos tradicionais mitos humanizantes, ao fim e ao cabo o ar fresco revigora, e os grandes espaços possuem um esplendor único.

3 Comments:

  • Acho que este livro foi feito exactamente pra mim, que diariamente questiono tantas coisas, entre elas, a existencia de deus... Vou ler certamente.um abraço..

    By Blogger Bichodeconta, at 14 novembro, 2007 20:19  

  • Nunca li nada de Richard Dawkins.

    O tema está sempre presente quer se acredite ou não na existência de Deus.

    Hoje mais que nunca, na tentativa de silenciar os avanços da ciência, surgem "novas" "igrejas" que mais não são do que sucedâneos de outras mais antigas.

    Por isso "A desilusão de Deus" é bem vinda para ver se contraria os objectivos dos oportunistas.

    Bom fim-de-semana

    By Blogger zé lérias, at 17 novembro, 2007 01:49  

  • Tenho que ler este livro!!!

    By Blogger Paula Raposo, at 19 novembro, 2007 19:00  

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